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U2

O U2 parece feliz com o resultado de No Line on the Horizon, 12º álbum da carreira dos irlandeses e que chega aos ouvidos do mundo nesta terça-feira. Em meados do ano passado, ainda em fase de produção, Bono Vox parecia tão eufórico ao ouvir a sonoridade de seu novo disco que resolveu aumentar o volume do som na sala de casa. Aumentou tanto que fãs do lado de fora, oportunistas, gravaram as canções e as lançaram na internet, cruas e sem nome.

Coisa de banda adolescente, dessas que ganham notoriedade pelo MySpace. E coisa que só uma banda do tamanho do U2, que nutre expectativas gigantescas depois de quatro anos sem material inédito, consegue. Os irlandeses perceberam a fome dos fãs e lançaram de forma oficial, em seu site, o single Get on Your Boots. Mas não demorou até que o disco todo vazasse, agora prontinho e às vésperas de fazer breve parada nas lojas (breve, sim, porque o último CD vendeu quase um milhão de cópias na primeira semana).

No Line on the Horizon marca o maior hiato entre lançamentos inéditos do U2. O último foi o aclamado How to Dismantle an Atomic Bomb, em 2004, álbum vigoroso, com pegadas roqueiras e referências ao punk entre baladas doces. Tanta espera (no meio disso só foi lançada coletânea U2 18: Singles) rendeu um punhado de bons momentos com a cara dos quase 30 anos de carreira do U2.

Com as linhas de baixo e bateria simples e precisas de Adam Clayton e Larry Mullen, a perfeição minimalista da guitarra de The Edge e a sutileza de Bono Vox, não é preciso ser festivo para ser alegre; tampouco chorar para pintar um quadro triste. Basta a naturalidade intrínseca ao U2, um pop certeiro, abrangente. São os pequenos detalhes que marcam em No Line on the Horizon, numa sonoridade bem próxima das canções que levaram a banda ao sucesso.

VIAGEM – As sessões de gravação iniciaram em 2007, no Marrocos, com uma novidade: a composição se expandiu para além do quarteto pensante. A banda chamou os antigos produtores Brian Eno e Daniel Lanois como parceiros também nas letras. O trabalho se mudou para Dublin, na Irlanda, passou por um estúdio de Nova York e foi concluído em Londres, com a produção adicional de Steve Lillywhite, além da mão de peso de Eno e Lanois.

Para o guitarrista The Edge, as onze canções – que somam 53 minutos de audição sublime – são suficientes para elevar o disco ao status de um dos melhores, “senão o melhor” do U2. Mas isso é o fã quem dirá. “Este é um álbum para voltar aos ouvidos das pessoas e realmente entrar, em profundidade, tal qual todos os registros que eu amo”, disse Edge em entrevista ao site do grupo.

Com certeza é um álbum que merece tempo, daqueles pra ser saboreado aos poucos, descobrindo novas formas de ouvi-lo e apreciá-lo. A ideia não foi juntar um amontoado de hits instantâneos, mas canções para que se olhe além da linha do horizonte, tênue referência para algo que pode ser muito maior, conforme sugerem o título e a capa do disco.

De qualquer modo, há músicas que se moldam como sucessos naturais, pra voltar aos ouvidos do grande público ao qual The Edge se refere. Get on Your Boots; Stand up Comedy, com seu riff certeiro; e a belíssima faixa-título serão marcas certas para No Line on the Horizon, assim como foram Vertigo e Original of the Species para How to Dismantle an Atomic Bomb.

No Line on the Horizon chega às lojas na terça-feira em cinco formatos diferentes. Além de ter edição em CD e vinil duplo, será também editado, de forma limitada, em versão digipack (com livreto de 36 páginas, um pôster e a possibilidade de fazer download do novo filme de Anton Corbijn sobre a banda), em versão revista (o CD será incluído num impresso com 60 páginas e permitirá também o download do filme de Corbijn) e em caixa especial (com um livro, um segundo pôster e o filme em DVD). Quem é fã ainda compra dessas coisas. Ainda mais quando se trata do U2.

Fonte: Gazeta do Sul

Por Eduardo Görck


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